Coro: Liturgia Laica

De manhã estava na Eslovénia. Havia gelo nas janelas do hotel e o pequeno-almoço, magnífico, acabava por ficar com o sabor particular das coisas que se comem sem ter fome, só porque a viagem assim o exige e os produtos são bons demais para não aproveitar. Entre carro e avião, ao início da tarde estava num comboio em Roma com destino a Orvieto. É assim que funciona quando se viaja propositadamente para um restaurante – o dia serve a logística, a noite serve a razão de existir.

O Duomo de Orvieto
O Duomo de Orvieto

Orvieto não fica no caminho de nada. Quem vai lá, vai mesmo com um propósito. A cidade sentou-se no topo de um penhasco de tufo há dois mil anos, foi capital dos Etruscos, e depois desceu e expandiu-se – mas é ali, no coração da história, que continua a bater o que importa. O comboio de Roma sobe o vale do Tibre, com a luz de fim de tarde a dourar os campos de girassóis secos, atravessa a planície Úmbria, e depois pára. O resto faz-se de carro, por ruas estreitas entre muros medievais. Numa curva, sem aviso, a rua abre-se numa praça enorme e ali está o Duomo, um dos mais extraordinários do gótico italiano, mosaicos dourados a arder com a última luz do dia, a dois passos do restaurante onde vou jantar.

Haverá chegadas melhores a um destino. Estou ainda a tentar pensar em alguma.

L'oraculo, o cocktail provado no Gocce
“L’oraculo”, o cocktail provado no Gocce

 

Antes de tudo

O Gocce é o bar do complexo, num pequeno pátio interior partilhado com o Palazzo Petrvs, o fotogénico boutique hotel que serve de base a tudo. Elegante, histórico, com aquele equilíbrio entre pedra antiga e detalhe contemporâneo que os italianos dominam sem esforço aparente, e que os torna insuportavelmente invejáveis. O bar manager Francesco Cocco assina o L’Oraculo – mezcal, Campari, Punt e Mes, shrub de ameixa e salva, palo santo, que chega acompanhado de azeitonas e crackers de arroz e abóbora, também eles viciantes. Um riff mais complexo do Negroni, com notas agridoces, algum fumo do mezcal e um lado erval refrescante, que entrega um negroni que o negroni não sabia poder ser. Senti o peso de estar sozinho no bar enquanto a equipa se ocupava entre si, absorta em conversas e preparativos, pena que não tenham ouvido o copo vazio, a carta era boa, como comprovou o negroni no final da refeição.

A passagem para o restaurante Coro

 

A passagem

Do Gocce chega-se ao restaurante por uma passagem interna, um vislumbre breve da cozinha, dois passos de corredor, e depois a escala muda completamente.

O arquiteto Giuliano Andrea Dell’Uva fez aqui um trabalho raro: a pedra antiga e as peças contemporâneas convivem em plenitude e em Itália, onde o restauro oscila habitualmente entre o museu e o cenário, essa contenção tem um mérito particular. A garrafeira que sobe até ao longo de 9 metros de altura é uma das peças mais impressionantes da sala, imponente, quase escultórica, e ao mesmo tempo funcional: esconde lá em cima a sala privada, revelada apenas a quem sobe. Ao longo da noite, enquanto a equipa subia e descia aquela escada, fui ficando com crescente admiração pela garrafeira e crescente simpatia pela equipa.

Sala do restaurante Coro, Orvieto

O Coro é o projeto de dois homens que já trabalharam juntos no passado e que o tempo parece continuar a querer unir. Francesco Perali é de Orvieto, estudou Economia, aprendeu o ofício ao lado de Gianfranco Vissani e regressou à sua cidade, com a vontade e com a clareza de quem sabe que quer fazer diferente. Para isso convenceu Ronald Bukri, chef, nascido em Durrës, na Albânia, mas feito homem na Toscana. Os dois cruzaram-se no Osticcio em Montalcino – um na cozinha, o outro na sala – e em 2024 abriram o Coro. O nome funde as últimas letras de Francesco com as primeiras de Ronald. É também o coro da antiga igreja. E é, acima de tudo, a ideia de que duas vozes distintas podem produzir algo que nenhuma das duas produziria sozinha.

Interior da antiga igreja de São José, Coro Orvieto

Sentei-me, com algumas mesas já ocupadas, entre casais, grupos, profissionais do setor e um jovem sozinho, que era eu, qual comensal no confessionário.

A equipa deixa-nos olhar, não há pressa, a contemplação é também ela parte da coreografia. E quando o espaço já entrou em nós, e os olhos percorreram as abóbadas vezes suficientes, alguém se aproxima, levanta a tampa de um cibório elegante pousado sobre a mesa, e lá dentro está uma óstia. De pó de milho e especiarias. A refeição começa com uma comunhão. Poderia ser um gesto óbvio, mas a escolha é perfeita para este lugar.

Perguntei a mim mesmo, naquele momento, se teria viajado até Orvieto por ser bonito ou por ser bom. Guardei a pergunta para o final.

Óstia de pó de milho e especiarias, Coro Orvieto
Óstia

 

A assinatura

No copo, o Centopercento da Argillae – único espumante produzido com as castas autóctones da DOC Orvieto, que paradoxalmente não pode usar o nome Orvieto na etiqueta porque o caderno de encargos não prevê a versão espumante. Os snacks chegam frescos, pequenos e centrados no vegetal, uma escolha arriscada e deliberada. O que ficou foi o “tubo” de beringela, de uma amargura limpa e texturas contrastantes, e a chamuça de batata e caril, leve e especiada, a viajar por outras latitudes. Dois gestos e dois snacks opostos que contam melhor do que qualquer lista o que esta cozinha quer ser. Ainda assim, menos quantidade e mais foco em cada peça dar-lhes-ia outro alcance.

Snacks do Coro Orvieto

Pão com grãos antigos e azeite gelificado, Coro Orvieto
O pão

Uma história distinta contou-nos o pão e os crackers preparados com grãos antigos e sementes da região, de elevada qualidade ao lado de um azeite gelificado e coberto de especiarias. Um detalhe que confirma uma tendência: o pão nos restaurantes italianos deixou de ser um acessório sofrível. Hoje, em muitos casos, rivaliza com o melhor que se faz na Europa.

Camarão vermelho de Porto Santo Spirito com emulsão de mel, azeite e lima
O camarão vermelho

O camarão vermelho de Porto Santo Spirito chega pela mão do chef sobre uma emulsão de mel, azeite e lima verde com alcaparras de Pantelleria e chalota. A cor da emulsão, antes de qualquer garfada, trouxe-me a vinagrete clássica de Alain Passard, aquela que já fiz vezes sem conta no verão, e servi sobre bons tomates. Na boca, confirmou-se: a doçura do mel conjuga-se com a do camarão, a acidez da lima realça sem abafar a delicadeza do crustáceo. Contenção e delicadeza como linha de cozinha. A primeira de várias referências à cozinha de Alain Passard que iriam repetir-se ao longo da noite, e que Ronald me confirmou ser uma das suas grandes inspirações ao lado de Lopriore com o qual o chef se formou.

Cavolo Nero grelhado com três molhos, Coro Orvieto
Cavolo Nero

 

Memórias de casa

O cavolo nero levemente grelhado vem com três molhos: batata vermelha cozida sobre brasas como se fosse uma vichyssoise, outro de ervas e um de cavala fumada. À primeira garfada pensei em casa – batata, fumo, couve escura, os três pilares do caldo verde. E é o primeiro sabor que me vem à boca, depois a cavala cria toda a distinção e as ervas trazem frescura, com acidez a equilibrar. Um prato umbro que falou português durante um segundo e depois seguiu o seu próprio caminho. Sente-se qualquer coisa de inevitável nisso: um chef albanês criado na Toscana, a cozinhar na Úmbria, a fazer um prato que me cheira a casa. Bukri não cita ou se prende a territórios, absorve-os. E o que chega à mesa é sempre o resultado dessa digestão longa, não a imitação de nenhum lugar em particular.

Creme de Abóbora assada com Berbigão, espinheiro-marítimo e bagas
Creme de Abóbora assada, Berbigão, espinheiro-marítimo e bagas

O creme de abóbora assada com espinheiro-marítimo, bagas silvestres e berbigão continua no mesmo ritmo, com uma explosão de cor, e vários elementos contrários que se elevam mutuamente. A doçura da abóbora trabalhada pelas bagas e pela água natural dos berbigões, com o espinheiro-marítimo a fazer um trabalho importante, ao dar aquela acidez laranja e ligeiramente amarga que corta a riqueza da abóbora sem a abafar.

Spaghetto com manteiga, Pimentão de la Vera, Parmigiano e Limão, Coro Orvieto
Pasta, manteiga, Pimentão de la Vera, Parmigiano e Limão

 

A pasta como história

O spaghetto Gerardo Di Nola com manteiga francesa e Parmigiano 36 meses é, segundo o próprio Bukri, um dos dois únicos pratos presentes em todos os menus. Percebe-se porquê. Cheira a Parmigiano e Pimentão de La Vera antes de qualquer garfada, o ponto da pasta é exímio e por fim o limão, descoberto no fundo ao envolver os fios, transforma o conjunto, mais fresco, mais leve, mais depurado. Uma transformação de um clássico, um prato que carrega o suporte dos mestres na cozinha de Ronald. Quem conhece, reconhece, e percebe. Quem não conhece, não precisa saber, é um admirável mundo novo construído com base no passado.

Bottoni recheados com fagiolina del Trasimeno e lula
Bottoni recheados com fagiolina del Trasimeno e lula

À minha volta a sala continua sob avaliação, os olhares intercalam entre os pratos, a conversa e o espaço, como se todos procurassem encontrar um detalhe novo. Os bottoni de massa fresca recheados com fagiolina del Trasimeno (o feijão do lago) com lulas na brasa e extrato de sálvia chegam com a mesma contenção estética. Massa fina, recheio leve mas marcante, e a lula quase translúcida, minimamente cozinhada, a trazer mar e textura com precisão cirúrgica. O molho de tinta e interiores ancora tudo com profundidade iodada. Um grande prato.

Fusilli com lentilhas de Onano, pó de limão negro fermentado e molho de mexilhão
Fusilli, lentilhas de Onano, pó de limão negro fermentado e molho de mexilhão

O fusilli largo com lentilhas de Onano, pó de limão negro fermentado e molho de mexilhão (um zabaione concentrado e rico) é tecnicamente notável. O limão negro alivia a riqueza com frescura e notas muito próprias. O mexilhão ao lado com fumo de madeira não devia comer-se sozinho. Uma unidade pequena para um molho desta dimensão soou-me a pouco. Um mexilhão de grande porte ou um espeto com várias unidades sobre o fumo, teriam feito a diferença. O prato é especial, pelo que merece isso.

Cordeiro em texturas, Coro Orvieto
Cordeiro em texturas

 

O Cordeiro

Marco Colognese, reputado jornalista do Reporter Gourmet, declarou o cordeiro em texturas o seu prato de carne do ano em 2025. Percebo-o. Cada corte, vazia, perna, molejas e uma empada de miudezas, marinado e trabalhado para se mostrar da melhor forma, a lacagem final com a própria gordura do animal a garantir o crocante por fora e o suculento por dentro, as especiarias de raiz albanesa e do Médio Oriente trouxeram ao prato uma marca discreta mas inconfundível. As molejas, para quem as aprecia, e eu aprecio, são um momento pessoal de satisfação. A técnica aproxima-se do irrepreensível, mas falta-lhe o elemento que transformaria o conjunto: suculência e profundidade, considerando o tamanho das porções de carne. Um jus, ou mais molho, completaria o que a técnica quase perfeccionou. Colognese e eu estivemos na mesma mesa imaginária e chegámos a sítios diferentes. Ele ficou com o prato do ano, já eu fiquei com a vontade de o repetir com algo mais. Ambas são formas válidas de ter razão.

Salada de folhas e ervas, Coro Orvieto

 

O gesto vegetal

Entre a carne e as sobremesas, chega à mesa uma taça de metal de design elegante. Dentro, uma salada de folhas e ervas repleta de frescura, picância e acidez. Não é um prato para analisar folha por folha. É para sentir como conjunto, com a função clara de limpar o palato depois de um prato rico. Funciona. Na senda de Passard ou Bras, Ronald Bukri trata o mundo vegetal como declaração de marca própria.

Salada de folhas e ervas, Coro Orvieto
Salada de folhas e ervas

As sobremesas confirmam o mesmo rigor. O creme inglês com mel local, pólen fresco e lima caviar, finalizado com uma cobertura crocante e levíssima em forma de hexágonos de favo de mel. Simples e delicado.

Creme inglês com mel local, pólen fresco e lima caviar, Coro Orvieto
Creme inglês com mel local, pólen fresco e lima caviar

O arroz doce de jasmim com fava tonka, banana e caril verde está bem executado mas é terreno difícil para mim, desde criança que arroz doce não é algo que tenha prazer em comer.

Arroz doce de jasmim com fava tonka, banana e caril verde, Coro Orvieto
Arroz doce de jasmim com fava tonka, banana e caril verde

O soufflé de dióspiro na brasa com gelado de uva chega alto e estreito, firme e ainda quente. Tecnicamente irrepreensível, com o dióspiro concentrado pela brasa, a massa delicada, e o gelado a trazer jogo de temperatura e boa conjugação de sabor. A minha favorita da noite.

Soufflé de dióspiro na brasa com gelado de uva, Coro Orvieto
Soufflé de dióspiro na brasa com gelado de uva

Fruta fresca sobre gelo em vez de petit fours, Coro Orvieto

Em vez de petit fours, fruta fresca sobre gelo. Bem apresentada e a seguir a mesma linguagem e protesto tácito da salada de ervas: a recusa da obrigação formatada. São estas pequenas recusas que definem uma cozinha com caráter. Os mestres de Bukri fizeram o mesmo antes dele, e ele sabe o caminho que quer traçar.

Negroni, Coro Orvieto

 

O Negroni e os séculos

A refeição fechou com um clássico Negroni. A forma ideal para condensar tudo devagar, enquanto os olhos voltam a contemplar as abóbadas, os frescos, a garrafeira e a sua escadaria. Uma velha igreja condenada ao esquecimento que encontrou nova vida. É justo, que seja agora a comida, e não a liturgia, a reunir as pessoas debaixo deste tecto. Que o sagrado tenha cedido lugar ao convivial sem que nenhum dos dois tenha perdido dignidade. Na verdade acho que a igreja saiu beneficiada.

Serviço de sala, Coro Orvieto

 

A coreografia e as suas lacunas

O serviço tem, de forma geral, o nível dos restaurantes estrelados: simpatia genuína, apresentação dos pratos de forma cuidada e esclarecida, indumentária e movimentação em sala irrepreensíveis. Francesco Perali dirige uma equipa jovem com naturalidade e sem excessos. A falha única foi específica, mas repetida: pedi a harmonização sem um vinho por prato, isto é, não queria beber um vinho diferente com cada prato, mas também não queria ficar sem vinho no copo. Por dois momentos o copo ficou vazio durante a degustação completa do prato. Não é o que se espera.

Uma nota que ninguém pediu mas que ofereço na mesma: num espaço com tanta identidade visual, tanto minimalismo deliberado, tanto cuidado estético em cada detalhe, as garrafas de água sobre a mesa assumem um protagonismo decorativo que provavelmente não merecem. A Acqua Panna agradece, mas a estética da sala não.

Orvieto, vista do centro histórico

 

Uma Nota Final

Orvieto vale a visita por si só, e não apenas pelo Coro. É uma terra de Etruscos que soube perdurar no tempo à boa maneira italiana, uma cidade que guarda a sua história com tal naturalidade, que parece que o tempo não passou por ali. O Duomo, as caves subterrâneas que percorrem o tufo há séculos, as ruas medievais que não cedem espaço ao turismo em massa. E agora, espaços como o Coro, que provam que é possível olhar para o futuro sem virar as costas ao passado.

O restaurante ficou conhecido por ser um dos dezasseis mais bonitos do mundo: o único italiano na lista do Prix Versailles 2025. A maioria das pessoas que enche a sua lista de reservas vai por isso, mas volta por outra razão.

Fui com expectativas altas sobre o espaço. Saí com expectativas ainda maiores sobre a proposta e o trabalho destes dois amigos. Ronald Bukri e Francesco Perali são jovens, não terão 40 anos, o Coro tem pouco mais de um ano. Pelo que o tempo joga a seu favor, a Michelin ainda não lhe deu estrela – uma omissão que em Itália poderá ter gerado alguma discussão. Não importa muito. As estrelas documentam o presente e esta dupla está a construir outra coisa.

Ronald Bukri e Francesco Perali, fundadores do Coro Orvieto
Ronald Bukri e Francesco Perali

Quanto à pergunta que trouxe comigo desde o momento em que levantaram a tampa do cibório – se vamos a um restaurante por ser bonito ou por ser bom – eu já sei a minha resposta, sempre soube. É certo que fui pela beleza, no entanto voltarei pelo bom. O espaço seduz à primeira visita, mas são a cozinha e o serviço que determinam se há segunda. Aqui haverá.

Mas esta é a minha resposta. A sua pode ser diferente, e isso, afinal, é o que torna uma boa mesa num lugar onde vale a pena sentar duas pessoas com opiniões distintas. E no Coro pode confessar-se.

Morada: Via dei Gualtieri 1, 05018 Orvieto (TR), Itália
Reservas: +39 0763 967231 | cororistorante.it
Horário: Jantar — Segunda e Quinta, 19h30–22h00. Almoço e Jantar — Sexta, Sábado e Domingo, 12h30–14h15 | 19h30–22h00. Terça e Quarta: encerrado.
Preço: A partir de 78€ (sem vinhos)
Hotel: Palazzo Petrvs — boutique hotel integrado, 9 suites | palazzopetrvs.it
Chef: Ronald Bukri e Francesco Perali
Distinções: Guia Michelin; 2 Garfos Gambero Rosso; Prix Versailles 2025 — único restaurante italiano entre os 16 mais belos do mundo;
Imperdíveis: Spaghetto com manteiga, Parmigiano 36 meses e Pimentón de La Vera , Bottoni com fagiolina del Trasimeno e lula, Camarão vermelho, Fusilli com molho de mexilhão e limão negro
Nos arredores: Duomo de Orvieto, Caves subterrâneas de tufo, Lago di Corbara, Civita di Bagnoregio.
Como chegar: De comboio — Roma Termini ~1h15; de carro — Roma ~1h30, Florença ~2h, aeroporto de Roma Fiumicino ~1h45. Nota: O restaurante situa-se no centro histórico, acessível de carro até à Piazza Cahen e depois a pé ou de funicular.

Fotos: Flavors & Senses
Textos: João Oliveira
Versão Inglês
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