No início do outono passado fomos conhecer o Viceroy at Ombria Algarve, uma altura em que o sol algarvio ainda acaricia a pele com suavidade e a luz dourada parece alongar cada olhar. Viajámos sem a Francisca, uma decisão que, suspeitamos, não seria facilmente perdoada. E, talvez por isso, com uma leve sensação de ausência a acompanhar-nos.

Localização & chegada
O Viceroy at Ombria Algarve é um projeto híbrido entre resort e comunidade residencial, longe do bulício da costa e a poucos quilómetros de Loulé. Aqui, a paisagem muda de tom: o litoral dilui-se e o interior ganha densidade, menos exposto, mais ligado ao ritmo agrícola entre colinas ondulantes marcadas por citrinos e terra seca, que ainda define esta parte do Algarve.

Localizado bem no interior, entre o verde das serras, foi pensado como uma pequena aldeia contemporânea, onde cada recanto parece convidar a descobrir algo inesperado e o luxo surge de forma discreta, sem encenação.
Chegar ao Ombria é, por si só, um exercício de transição. À medida que se deixa para trás o Algarve mais óbvio, a paisagem abre-se em colinas suaves, pontuadas por laranjeiras, figueiras e o verde discreto dos campos de golfe.
É neste cenário, a poucos minutos de Loulé, que o Viceroy se instala.

Design & atmosfera
Mais do que um resort, o Ombria foi pensado como uma pequena vila. Distribuído por 24 edifícios, organiza-se em torno de uma praça central, com caminhos de calçada que serpenteiam entre jardins mediterrânicos de alfarrobeiras, citrinos e figueiras.
Nada aqui foi desenhado para impressionar, e isso é precisamente o que funciona. Há no projeto uma escala humana rara neste segmento: sem excessos, tudo convida a deambular sem pressa, como um percurso por uma qualquer aldeia portuguesa. A arquitetura respeita a linguagem local, reinterpretada com linhas contemporâneas e minimalistas, resultando numa elegância discreta que evita protagonismos desnecessários.
Ao percorrer a calçada, dá para sentir o ritmo lento da região e é impossível não absorver a luz, o cheiro das árvores e o som das conversas nos terraços. Aqui, o design privilegia o conforto e luxo silencioso.

Quartos & suites
Os 141 quartos e suites partem de uma premissa clara: espaço e privacidade. Com áreas generosas (entre 70 e 173 m²), prolongam-se para terraços, jardins ou piscinas privadas, numa relação constante com o exterior. Algumas soluções de exterior, particularmente as piscinas privadas, tornam-se inevitavelmente inspiradoras para quem está a construir uma casa, como é o nosso caso!

Além dos quartos tradicionais, há uma oferta maior de residências e suites com cozinha ou kitchenette, salas de estar e áreas dedicadas à família, ideais para estadias prolongadas ou férias em grupo.
A sensação ao entrar na nossa suite revelou-se um refúgio sereno: madeiras claras no pavimento contrastando com mobiliário escuro em tons chocolate, tecidos naturais em bege e cru. A luz filtrada acompanha o ritmo do dia. A casa de banho, ampla e meticulosamente desenhada, destaca-se como um dos pontos altos. Do terraço, a vista abria-se sobre o vale e o campo de golfe, uma paisagem que, ao pôr do sol, parece suspensa no tempo.

À chegada, não faltaram pequenos gestos: café, água e uns incríveis chocolates artesanais, estes últimos, descobrimos depois, disponíveis no Café Central e difíceis de resistir a levar para casa.

Gastronomia
A oferta gastronómica distribui-se por vários espaços, cada um com identidade própria — e nisso o Viceroy segue a tendência dos grandes resorts contemporâneos: não um restaurante signature, mas uma panóplia de experiências.
O Ombria Kitchen funciona como o coração culinário do hotel, com uma abordagem contemporânea à cozinha portuguesa e mediterrânica. Jantámos ali numa das noites: Arroz de Marisco e Bife à Portuguesa — boa carne e boa execução, com o arroz de marisco a denotar a falta de algum elemento de maior destaque. Foi também aqui que regressámos pela manhã, desta vez com a luz do dia a revelar outra leitura do espaço.

Vieira e Figo no jantar a 4 mãos de Alexandre Silva e Pedro Pinto
Mas foi o Solalua que nos levou ao Viceroy: um jantar a 4 mãos entre Pedro Pinto, chef executivo do hotel, e Alexandre Silva, o nome por trás do estrelado Loco e do Fogo em Lisboa.
Alexandre um defensor da cozinha de produto e da sazonalidade dos mesmos adaptou um pouco da sua linguagem e cozinha ao contexto algarvio do momento.
Os primeiros momentos confirmaram a tese: gamba do algarve, atum, figos… com destaque para a vieira levemente marinada com figos, num contraste delicado de texturas, frescura, doçura e sabor a mar.
Nota alta também para o sempre pecaminoso Carabineiro com molho das cabeças ou o peixe fresco com batata e bivalves num ótimo jogo de texturas envolvidas por um pilpil.

Já o Café Central assume-se como ponto de encontro informal, entre pastelaria francesa, chocolates, cafés e produtos regionais, é perfeito para um final de tarde depois de um energético dia de golfe ou piscina.

Café Central
À beira da piscina, o Salpico propõe uma carta leve e fresca, com destaque para as pizzas bem executadas, enquanto o Bellvino, no rooftop, convida a terminar o dia com um copo de vinho e vista aberta sobre a paisagem algarvia.
Em todos, há um cuidado consistente com diferentes regimes alimentares, tratados com a mesma atenção que os pratos tradicionais.

Carabineiro no jantar a 4 mãos do Solalua
Bem-estar & lazer
O Spa by Viceroy é um destino em si mesmo. Com piscina termal interior, oito salas de tratamento e espaços dedicados ao cuidado pessoal – do pilates à barbearia – oferece uma abordagem completa ao bem-estar. A experiência de massagem destacou-se pela qualidade técnica e sensorial, superando expectativas para um espaço tão recente. Posso afirmar que foi um dos spas mais memoráveis que experimentei em Portugal.

Mesmo sem tratamentos, o spa merece tempo: há uma tranquilidade difícil de replicar, que o posiciona como um dos segredos mais bem guardados deste Algarve profundo.
No exterior, quatro piscinas (três aquecidas) distribuem-se pela propriedade, sempre com o horizonte do vale como pano de fundo. O V Team Kids Club, com espaços interiores e exteriores, torna o Viceroy especialmente amigável para famílias, uma característica que, pessoalmente, considero fundamental, apesar de termos ido sem a Francisca, como já referi.

O campo de golfe de 18 buracos é a grande aposta da propriedade, reforçando a ligação da mesma à paisagem, estendendo-se entre pomares e colinas suaves.

Serviço
O serviço aqui encontra um bom equilíbrio, o staff é extremamente simpático: não há grandes formalismos, mas sim sorrisos atentos que fazem tudo acontecer sem aparente esforço. A hospitalidade tem calor, e isso, nos dias de hoje, é um luxo tanto quanto a arquitetura ou a gastronomia. Nota máxima para a equipa do spa, que tornou esse lado ainda mais humano.

Veredicto Flavors & Senses
Há dois Algarves.
O da costa, que se vende ao mundo e se reinventa a cada geração – hotéis que parecem ter aterrado de outro continente, restaurantes estrelados e outros que seguem tendências internacionais, praias onde se ouve mais inglês que português enquanto se procura um lugar na areia.
E o do interior, que permanece fiel a um ritmo mais antigo: agrícola, solar, discreto. Onde o tempo ainda se mede pelo ciclo dos produtos, onde as vilas se organizam em torno de igrejas brancas, onde o luxo – quando existe – tem de negociar com a paisagem em vez de a ignorar.
O Viceroy at Ombria Algarve nasce precisamente desse desequilíbrio.
Aqui, descobri um lugar que, apesar de novo, já tem alma própria. É um resort que não tenta competir com o Algarve mais evidente, propondo outra leitura. Mais lenta, mais sensível e mais próxima da terra, que parece crescer de dentro para fora: Primeiro, as piscinas que capturam o sol de forma quase arquitetónica, criando padrões de luz que mudam de hora a hora. Depois, os caminhos de calçada portuguesa entre alfarrobeiras e figueiras, que convidam a deambular sem destino. A descoberta acidental da piscina escondida junto às residências. A luz do amanhecer sobre os greens do campo de golfe.
Um Algarve que não se mostra de imediato, mas que se revela ao longo da estadia e é precisamente aí que reside o maior atributo deste Viceroy.
Para quem é
Para quem procura um Algarve diferente, mais calmo, mais autêntico, mais ligado à paisagem.
Casais, famílias e viajantes de estadias prolongadas encontrarão aqui espaço, ritmo e versatilidade.
E, claro, apaixonados por golfe e natureza.
Gostámos
- Integração na paisagem
- Escala humana do projeto
- Qualidade do spa
- Espaço e conforto das suites
A melhorar
- Alguns espaços ainda em evolução
- A identidade gastronómica pode ganhar maior afirmação com o tempo
Para mim, que vivo entre hotéis e procuro lugares que apelam aos sentidos mas também à inteligência, este é um dos projectos mais interessantes que encontrei no sul de Portugal nos últimos anos. Não pelo que é agora – ainda em construção, ainda a descobrir a sua identidade completa – mas pelo que promete tornar-se.
Até já, Viceroy, voltaremos com a restante família!

Address: Ombria Resort, 8100-333 Loulé, Algarve, Portugal
Contact: +351 289 078 300
Prices: Prices from €350
Heritage: Contemporary resort designed as a modern interpretation of a traditional Algarve village, set within a protected landscape and developed with a strong focus on sustainability and local integration.
Facilities: Spa by Viceroy (with thermal pool and treatment rooms), 4 outdoor pools (3 heated), 18-hole golf course, multiple restaurants and bars (Ombria Kitchen, Solalua, Café Central, Salpico, Bellvino), V Team Kids Club, fitness centre, pilates studio, concierge, boutique retail, event spaces.
Tips: Take time to explore the spa, even without booking a treatment; head up to Bellvino at sunset; try (more than one) chocolate from Café Central; ask the team for local recommendations — they know the area well.


