Visitar Praga em 3 Dias – Dia 1

 Vista para o Castelo de Praga

Bem no centro da Europa existe uma das cidades mais bonitas do mundo.
A sua exuberância gótica, a sua identidade medieval e a sua opulência arquitectónica rivalizam entre si para criar o mais misterioso dos sonhos dentro da nossa mente.
É apaixonante, é viciante, e faz-nos perder num autêntico conto de fadas, assim é a cidade de Praga!

História da cidade

Durante milhares de anos, as praças de Praga foram passagem obrigatória nas rotas comerciais que atravessavam a Europa de norte a sul.

Praga parece datar de 5000 a.C. devido a achados históricos de resquícios paleolíticos e neolíticos.
Um dos nomes mais importantes e que surgiu primeiro terá sido o “Bom Rei”, Venceslau do século VIII, que sucedeu ao seu avó Borivoj, e fortaleceu os laços com Roma e com os alemães e foi assassinado pelo seu irmão (inveja, talvez?)!

A evolução ao longo do reinado de Venceslau converteu a cidade num dos mais importantes centros comerciais da Europa medieval.

A expansão económica refletiu-se bastante na topografia da cidade, com o aparecimento de diferentes zonas.
Já em meados do século XIV a cidade terá experienciado uma das suas maiores evoluções sob o domínio do imperador alemão Carlos IV de Luxemburgo que a estabeleceu como capital do seu império, nesta altura foi construída a universidade, a Ponte Carlos e a Nové Mesto (cidade Nova).

Ponte Carlos

Seguiram-se as Guerras Hussitas em que condenaram o reformista católico Jan Hus à fogueira em 1415, o que, entre muitas outras coisas, fez com que protestantes checos e alemães católicos se odiassem durante séculos.

Com a ascensão da dinastia católica dos Habsburgos ao trono boémio a paz e a prosperidade tiveram o seu fim.

Seguiu-se a Guerra dos Trinta Anos, durante a qual Praga foi ocupada por saxões e suecos, e se verificou um acentuado declínio económico da cidade, cuja recuperação só ocorreria no século XVIII.

Já no século XX, aquando da Primeira Guerra Mundial, os líderes do Renascimento Nacional pediram auxílio aos EUA e Praga tornou-se a capital da independente Checoslováquia.

No entanto, os pactos de Munique, de 1938, cederam a cidade e o país à Alemanha nazi até ao final da Segunda Guerra Mundial. Posteriormente, a Checoslováquia passou para a órbita da União Soviética, e como forma de agradecimento da libertação da Alemanha Nazi, o país deu uma oportunidade ao Comunismo Soviético, o que lhes viria a sair caro.

Praça da Cidade Velha com a Igreja de Nossa Senhora de Týn em destaque

Em 1968 a cidade foi cenário do movimento popular que se tornou conhecido como Primavera de Praga, que resultou na invasão das tropas do Pacto de Varsóvia que mataram vários protestantes.
Em 1989 deu-se uma das mais importante revoluções, a Revolução de Veludo, que ditaria o fim do governo comunista.

Já na década de 90, verificou-se a dissolução dos laços que uniam checos e eslovacos numa federação única, e Praga deixou de ser a capital da Checoslováquia para passar a ser a capital da República Checa.

Após esta breve viagem pela história vamos então conhecer a cidade.
Praga pode dividir-se em quatro ou cinco zonas muito próximas entre si:

– Complexo do Castelo
– Bairro Pequeno (Malá Strana)
– Bairro Judeu (Josefov) – sendo que pode considerar-se que este pertence à Cidade Velha
– Cidade Velha (Staré Mesto)
– Cidade Nova (Nové Mesto)

Optei por elaborar um Roteiro de três dias, o que é suficiente, pois Praga é uma cidade relativamente pequena e fácil de se percorrer a pé, aliás, é obrigatório percorrê-la a pé, e ir consumindo a cidade na sua essência mais pura.

 1º DIA

– Complexo do Castelo e Bairro Pequeno

Acordamos bem cedo, tomamos um pequeno-almoço daqueles que nos deixa sem fome até quase à hora do jantar e rumamos ao Castelo de Praga, fomos a pé, como ficamos hospedados no Bairro Judeu (ver), foi só atravessar a ponte mais próxima e seguir à descoberta deste magnífico complexo arquitectónico cheio de história.

                                  

O complexo rodeado pelas muralhas dá para visitar sem pagar, no entanto se quiserem entrar nos diferentes edifícios têm que comprar bilhete, como é óbvio nós queríamos entrar em vários dos edifícios e por isso compramos bilhete, neste caso o correspondente ao Circuito A que custou 350 CZK (aproximadamente 13€) e incluía praticamente todos os locais, existiam outros circuitos com menos entradas ou bilhetes complementares, mais baratos, para juntar ao Circuito A.

Este complexo do castelo é dos mais belos e imponentes que já vi, ornamentado com a imensa beleza da Catedral de S. Vito e pelo magnífico edifício renascentista que é o castelo.

Quem diria que começou por ser uma fortaleza de madeira no final do século IX! Mais tarde veio a ser a capital do Sacro Império Romano e grande parte do Castelo foi reconstruída, dando origem ao que nós vemos hoje. Atualmente é a residência do Presidente da República Checa.

Catedral de S. Vito

Dentro do Castelo visitamos, então, o Antigo Palácio Real, que de acordo com os seus governantes Boémios foi sendo alterado, daí identificar-se estilos como o gótico e o renascentista. As diferentes salas são decoradas com brasões, e cada uma tem a sua história. As salas que mais gostei foram a Escadaria dos Cavaleiros, por onde estes faziam a sua entrada triunfal até ao Salão Vladislav, e a sala dos Antigos Arquivos de Terra, decorada com brasões ao longo de todas as paredes que pertenciam aos escrivães que controlavam a posse de propriedade e as decisões da corte.

                                

O fotógrafo também teve direito a mudar de posto

Depois do Antigo Palácio fomos à Basílica de São Jorge, mandada construir pelo Príncipe Vratislav no fim do século X, sendo um dos primeiros edifícios em pedra do complexo, serviu durante muito tempo como local de sepultura aos membros da Dinastia Přemyslida, da qual fazia parte Santa Ludmila, a avó cristã de São Venceslau.

O edifício que hoje vemos já sofreu algumas alterações ou remodelações pois esteve sujeito a um grande incêndio. Cada elemento exterior de solenidade contrasta com um belíssimo interior bucólico. Adjacente à basílica está o Convento de São Jorge.

 A Basílica de São Jorge em tons de vermelho

Basílica de São Jorge

Mantendo-nos na linha da religião, caminhamos em direção à Catedral de S. Vito, o mais imponente edifício do complexo. Esta magnífica catedral gótica foi mandada construir sobre um antigo local de culto pagão, em 1344 quando Praga foi nomeada arcebispado, no entanto, devido à morte do primeiro arquiteto e às Guerras Hussitas, a catedral foi ficando por terminar, e curiosamente, só foi terminada já em 1929.

Catedral de S. Vito

O interior é monumental e imperdível, observem tudo com calma, e com atenção os vitrais, que são maravilhosos, sendo que numa das janelas o vidro é pintado, e não um vitral como os restantes.

                               

 Detalhes da Catedral de S. Vito

Visitamos ainda a Torre Branca com as suas assustadoras salas repletas com objetos de tortura, o Palácio de Rosenberg e a Travessa Dourada (um dos meus locais preferidos) com coloridos casebres onde moravam funcionários do castelo com diferentes ofícios, desde ourives, costureiras, guardas, entre outros.

Sala de Tortura da Torre Branca

Travessa Dourada

                                  

Quase no final da visita ainda tivemos a sorte de ver a troca da Guarda Real no pátio principal às 12h em ponto!

Saímos do Castelo e continuamos à descoberta da cidade e muito próximo do complexo avistamos uma belíssima torre sinaleira que se destacava no alto, tratava-se do Loreto. No centro deste local de peregrinação encontra-se o seu bem mais precioso, uma réplica da Santa Casa (original em Loreto, Itália) que se crê ter sido a casa onde Virgem Maria foi visitada pelo Anjo Gabriel. Este local, de estilo Barroco, pretendia trazer os checos à fé católica.

Loreto

Não entramos, até porque estavam em obras, e seguimos o nosso caminho em direção a Malá Strana.

Este pequeno bairro ou Bairro Pequeno, como é chamado, é um autêntico charme, com as suas ruelas, igrejas, parques e edifícios de estilo barroco. Já foi a cidade das festas dos nobres vienenses, onde Mozart e Casanova deambulavam sem destino e hoje é uma das regiões mais agitadas e divertidas da cidade.

A sua principal praça, Malostranské námestí, tem uma vida própria e interessante de se observar, já foi palco de incêndios, revoluções, e execuções, e da defenestração de 1618 (a terceira, neste caso, em que 100 nobres protestantes se reuniram para invadir o palácio e lançar dois governantes católicos e os seus secretários da janela. Sobreviveram, no entanto, ajudados por anjos – dizem os católicos!) cujas consequências terão dado início à Guerra dos Trinta Anos.


Malostranské námestí

Nesta belíssima praça, de arcadas neoclássicas, podemos encontrar a Igreja de S. Nicolau (entrada: 70 CZK – aproximadamente 2.5€), um magnífico exemplo de arquitetura barroca do século XVIII. Curiosamente, a sua torre do relógio serviu, a partir de 1950, de posto de observação para a segurança do estado – a polícia Comunista.

Foi a igreja mais bonita que visitamos em Praga!

Detalhes da Igreja de S. Nicolau

Seguimos para o Mural do John Lennon, onde os hippies de Praga e a polícia já travaram longas batalhas, uma vez que estes tentavam constantemente apagar os graffitis do mural.

O desenho original é dum mexicano e terá sido pintado logo após a morte de John Lennon, no entanto já foi pintado por cima várias vezes. Anualmente, o chamado Clube de Paz de John Lennon ainda se reúne aqui para cantar músicas dos ex-beatles.

Continuamos a deambular, e bem, em direção à ilha de Kampa, o pequeno Canal do Diabo, como é chamada a separação entre Kampa e Malá Strana, foi outrora a lavandaria da cidade, a área de moagem e centro da indústria de cerâmica, hoje um parque toma conta do lado sul, enquanto do lado norte se situam edifícios elegantes, hotéis e restaurantes.

Como ainda nos sentíamos aptos para continuar a andar (achávamos nós!) rumamos ao Monte Petrín, a ideia era descansarmos um pouco neste maravilhoso parque, onde a fruta pode ser retirada livremente das árvores, onde as crianças saem maravilhadas com o Labirinto dos Espelhos e onde encontramos uma das melhores vistas da cidade, ou não fosse aqui que se situa a Torre de Observação feita à imagem da Torre Eiffel (mas apenas com um quarto da altura!) mas começou a chover e efetivamente o cansaço já se fazia sentir e por isso desistimos da ideia, mesmo sabendo que poderíamos ter subido de funicular.

Tive pena, tinha curiosidade em ver também a Igreja de S. Miguel, uma igreja de madeira trazida para Praga da Ucrânia quando o vale onde se situava ficou submerso devido à construção de uma barragem.

Mas, efetivamente, este passeio faria mais sentido com um belo dia de sol, o que não era o caso!

Monumento às Vitimas do Comunismo

No entanto, quando nos dirigíamos ao parque acabamos por nos “cruzar” com o diferente, mas não menos brilhante, Monumento às Vitimas do Comunismo inaugurado em 2002 e que representa a degeneração que o regime comunista provocou na sociedade através da decomposição do ser humano até à sua quase inexistência. – Com um certo ar de The Walking Dead!

Faz-nos pensar, e acima de tudo sentir a dor dilacerante através da inscrição:
205.486 prisões, 170.938 exilados, 4.500 mortos nas prisões, 327 abatidos enquanto tentavam fugir, 248 executados.

“Este memorial é dedicado a todas as vítimas: não apenas aos que foram presos e perderam a vida, mas também aos que viram a sua existência arruinada pelo despotismo totalitarista”.

No momento de terminar o nosso dia, e antes de seguirmos para o hotel passamos pelo famoso Café Savoy,  um dos mais antigos e importantes cafés da cidade restaurado há poucos anos pelo grupo Ambiente. Uma combinação do melhor da pastelaria francesa com a da Europa Central, que resultou numa boa e bem merecida pausa. 

Seguimos em direcção àquele que é (para mim) o mais belo e mágico local da cidade, a Ponte Carlos.

Esta é a ponte mais velha da cidade, e atravessa o rio Moldava da Cidade Velha até a Cidade Pequena.
A sua construção começou em 1357 no reinado de Carlos IV, e foi finalizada no início do século XV. Esta transformou-se na via de comunicação mais importante entre a Cidade Velha, o Castelo e as zonas adjacentes.

A Ponte é duma beleza indescritível, as suas torres são de uma imponência soberba, principalmente a do lado da Cidade Velha que é considerada por muitos como uma das construções mais impressionantes da arquitetura gótica no mundo inteiro. As suas estátuas enaltecem ainda mais a sua beleza, são 30 ao todo e estão situadas em ambos os lados.

                               

A maioria delas construídas entre 1683 e 1714 são em estilo barroco, e representam vários santos e patronos venerados da época.

A partir de 1965, todas as estátuas foram sendo substituídas por réplicas, cujas originais estão expostos em vários museus da cidade.

A famosa banda que diariamente encanta os turistas na Ponte Carlos 

Visitem a cidade a todas as horas do dia, de manhã com a neblina matinal é a fotografia perfeita, durante o dia com o sol a resplandecer as estátuas e onde poderão também encontrar artistas de rua, quer a eternizar no papel a beleza de Praga, quer a tocar músicas que animam ainda mais o ambiente, ou à noite, quando a cidade adquire um cariz de filme de suspense, com um toque de misticismo a contracenar com as luzes dos candelabros que lhe dão um toque elegante e boémio.

                                 

É, para mim, o local mais perfeito de Praga!

Bem, foi um dia bastante produtivo e chegou a hora de ir jantar, no nosso caso, a escolha recaiu sobre o fantástico  La Degustation (ver) e depois ir descansar, que amanhã é um longo dia!

Até amanhã Praga!

Onde Ficar
InterContinental Praga

 English Version

Fotos: Flavors & Senses com a Sony A7S

Nota
– As fotos nem sempre representam a nossa primeira passagem nalguns dos locais ou o mesmo dia de viagem.

Este Artigo é o 1º de 2 artigos para o nosso Guia de Praga.

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