Visitar Budapeste em 3 Dias – Dia 3

3ºDIA

– Bairro do Castelo

Último dia em Budapeste (infelizmente), decidimos deixar para este dia o mais mágico, histórico e majestoso local da cidade, o Bairro do Castelo De Buda ou Budavári Palota.

Este magnífico marco da história da cidade, a rivalizar com a serenidade do Danúbio, foi, outrora, a capital fortificada do país e a casa da corte real. Foi mudando o seu aspeto ao longo dos séculos, tendo aguentado muitos ataques impiedosos. Hoje, é o local de alguns dos museus mais importantes da cidade, e um ponto de visita obrigatório.

Para chegarem até ao Bairro do Castelo, se estiverem do lado de Peste, podem atravessar a imponente Ponte de Széchenyi, e observar os enormes leões que se fazem notar, quase como guardiões desta travessia até ao lado de Buda.

Construída entre 1839-49, esta foi a primeira forma permanente de atravessar o Danúbio, pela ordem do aclamado reformista da cidade, István Széchenyi (depois de ter estado quase 8h à espera para atravessar o rio para poder ir ao funeral do pai).

Mas, como vos dizia, esta é uma das formas de chegarem até ao Bairro do Castelo, depois de atravessarem a ponte, têm logo à vossa frente o funicular que dá acesso ao castelo, ou então, um caminho pedonal, por entre escadas que vos permite fazer o mesmo trajeto. Sinceramente, a não ser que tenham algum problema de mobilidade, subam as escadas.

 As paredes junto ao funicular 

O funicular é caríssimo (tendo em conta os custos das coisas em geral), custando apenas a viagem de ida ou de volta HUF 1200 (aproximadamente 4€), demora pouquíssimo tempo, e não se consegue ter uma vista propriamente especial sobre a cidade.

Nós não entramos no Bairro por esta entrada, que fica mesmo na zona onde era o antigo Palácio Real, entramos sim por uma entrada mais a norte, a Porta de Viena, construída originalmente como o início da estrada entre Buda e Viena e destruída durante o cerco turco em 1686, a atual data de 1930.

E por esta razão não utilizamos o funicular ao subir, mas sim ao descer, já depois de visitar todo o complexo, e arrependemo-nos imenso, uma vez que a vista ao longo da escadaria é bem mais interessante.

Voltando ao Bairro do Castelo, mais propriamente ao local por onde começamos, a Porta de Viena, esta é muito próxima de alguns edifícios importantíssimos, como o Museu de História Militar e os Arquivos Nacionais da Hungria. Vamos passeando ao longo deste charmoso bairro e vamos percebendo que efetivamente isto já foi uma cidade, com ruelas, lojinhas e casas típicas, com comércio, e com todos os serviços necessários à época, claro que atualmente esses mesmo locais estão substituídos por museus, hotéis, restaurantes e lojas de souvenirs.

Mas passeiem-se sem demoras e percam tempo nos detalhes, talvez assim se consigam imaginar numa outra época, a viver uma outra vida, é surreal as viagens no tempo que a nossa imaginação nos permite fazer!

Mátyas Templom

Continuando a caminhar sem direção específica cruzamo-nos com a imponente Mátyas Templom, ou Igreja de Mátyas.
Esta, situada no coração do bairro, inunda o ambiente de cor, desde as telhas às paredes do interior pintadas.
É um culminar de séculos de culto com alterações bem presentes em cada recanto.

Originalmente construída entre 1255-69 para a população germânica de Buda, foi sendo alterada ao longo dos séculos, sendo testemunha de alguns dos mais importantes momentos da história do país.

Foi utilizada como mesquita pelos turcos, sofreu uma imensa remodelação no século XIX aquando do milésimo aniversário da chegada dos magiares à cidade, foi utilizada como cozinha pelos nazis, e como cavalariça pelos soviéticos! Já serviu de tudo e para tudo, hoje é um belíssimo exemplo do estilo gótico que se abre ao mundo diariamente, enaltecendo ainda mais a beleza e história da cidade.

A entrada é paga, ficando por HUF 1250 (aproximadamente 4€).

A vista do Bastião dos Pescadores

Ao lado da igreja está o Bastião dos Pescadores ou Halászbástya, com um aspeto medieval e cujo nome se deve ao facto de, supostamente, esta ter sido a zona do Bairro do Castelo defendida por elementos do Grémio dos Pescadores (mas na verdade este local tem pouco mais de um século!). Este monumento, da autoria de Frigyes Schulek, foi acrescentado em 1902 para se anexar à Igreja Mátyas. Possui sete torres, em homenagem a sete tribos magiares que fundaram a nação húngara.

O seu aspecto acrescenta quase que um ambiente fantasioso ao local.
Não vale a pena pagarem para aceder ao terraço superior, as vistas que têm dele são as mesmas que têm do terraço inferior, e esse é gratuito!

Continuamos o nosso caminho ao longo do bairro, até que chegamos ao mais imponente edifício do local.
Na verdade, aquilo a que chamamos de Castelo de Buda é o Palácio Real ou Királyi-palota, um conjunto de vários edifícios, quase todos convertidos em museus.

O primeiro a perceber as vantagens defensivas deste local, erigido na colina, foi o Rei Béla IV no século XIII, que mandou construir uma cidade no alto com um castelo e muralhas.

Mais tarde o Rei Mátyas terá acrescentado beleza com o cunho da cultura renascentista.
Posteriormente, o edifício foi destruído na guerra com os turcos e os Habsburgos construíram um belíssimo palácio no seu lugar.

A fachada e a cúpula são da autoria dos conceituados arquitetos Miklós Ybl e Alajos Hauszmann.

Durante a Segunda Grande Guerra o palácio sofreu danos graves, como por exemplo, na cúpula, que foi totalmente destruída e teve que ser reconstruída.

O palácio já não é utilizado como residência desde 1945 e atualmente abriga vários museus, como a Galeria Nacional Húngara e o Museu da História de Budapeste.

Galeria Nacional Húngara ou Magyar Nemzeti Galéria ocupa a maior parte das instalações do Palácio Real, estendendo-se por quatro alas. Fundada em 1975, surgiu durante o movimento reformista do século XIX, e guarda grande parte dos tesouros da cidade, apresentando a arte húngara desde a época medieval até aos dias de hoje.

Grande parte dos salões possuem janelas viradas para o Rio Danúbio, tendo uma vista maravilhosa.
Esta está fechada às segundas-feiras e o preço do bilhete é de HUF 1800 (aproximadamente 6€), sendo que só permite a entrada às exposições permanentes, as temporárias variam de preço.

Quanto ao Museu da História de Budapeste ou Budapesti Történeti Múzeum retrata a história da cidade, desde a Idade Média até aos dias de hoje, incluindo a história do Castelo e do Palácio no qual está inserido, através de escassos resquícios do que foi o palácio medieval.

Assim como a Galeria Nacional, está fechado às segundas-feiras e o bilhete custa HUF 2000 (aproximadamente 6.5€).

A região do Castelo de Buda conta ainda com outras atrações que podem visitar se forem passar o dia todo por este bairro, como a Biblioteca Nacional Széchényi, o Palácio Sándor, o Teatro de Dança Húngara, o Museu da História Militar (Hadtorteneti Muzeum) e o Labirinto do Castelo (Budavári Labirintus).

Terminada a visita ao castelo é hora de almoçar no estrelado Tanti (ver).

Nesta altura já vocês devem estar a perguntar-se onde andam os tradicionais banhos! Budapeste é uma cidade sem mar, mas com uma tradição de banhos termais que excede qualquer outra cidade! Por isso, têm várias opções, dentre as quais destaquei três:

– Gellért Gyógyfürdő – no famoso Hotel com o mesmo nome, este são os mais conhecidos da cidade, situados na região abaixo da colina Gellért
– Király Gyógyfürdő – segundo os locais, um dos melhores, pois não tem o exagero de turistas habitual
– Széchenyi Gyógyfürdő – situados no parque da cidade na região de Városliget

Finalizamos o nosso terceiro e último dia em Budapeste a assistir ao concerto de música clássica na Basílica de São Estêvão (aquele cujos bilhetes compramos no dia anterior).

Não poderia pedir mais nada neste momento! Ouvir Bach num dos locais mais lindos e intensos da cidade.

Meu Deus, que grande final para uma viagem que não queria que terminasse nunca!

Onde Ficar
InterContinental Budapest
Kempinski Hotel Corvinus

 English Version

Texto: Cíntia Oliveira | Fotos: Flavors & Senses com a Sony A7S

Nota
– As fotos nem sempre representam a nossa primeira passagem nalguns dos locais ou o mesmo dia de viagem.

Este Artigo é o 3º de 3 artigos para o nosso Guia de Budapeste (ver 1ºDia) (ver 2ºDia)

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